segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Calma

Calma, não pira. Ela é assim mesmo.

Odeia que fiquem no pé, perguntando pra onde vai e pra onde deixa de ir e que horas vem. Mas se não fizer isso, ela sente falta. Louca, decidida, não pensa duas vezes antes de fazer alguma coisa. Faz, quer tirar a prova, vai até o fim. Pessoas não faltam para pegar no seu pé, avisando que é melhor parar por aí, mas ela não desiste, quebra mesmo a cara, mas dorme tranquila por ter tentando até se esgotar.
Extravasada, DESASTRADA, pirada, inquieta, fala pelos cotovelos. Ri muito, exala boas energias, por isso as atrai no mesmo nível. A vontade dela é de botar a mochila nas costas e dizer Adeus a todos, sem data de voltar. Não esquece fácil, não guarda rancor, mas não tem amnésia. Sabe bem aonde pisar com algumas pessoas, e com outras não. Às vezes pensa que é uma poça rasa onde na verdade é um poço sem fundo, e ela se afoga. Às vezes peca em demonstrar seus sentimentos, mas ela ama. Ama com cada milímetro do seu corpo, ama tanto que chega a doer.
Superprotetora, mãezona, quer cuidar de tudo e de todos. Às vezes até vista como a “chata” e certinha do grupo, mas no fundo todos sabem como ela tem razão. Aliás, ela se acha a dona da razão, odeia escutar os outros, e acaba se metendo em confusão por isso. “Deixa que eu faça, não preciso de ajuda!”. No fim, percebe que se tivesse ouvido, não estaria tão mal ou não teria dado tão errado.
Ela é forte. Ah, se tem uma coisa que ela é, é forte. Ela ainda não sabe. Sabe-se, descobriu há pouco tempo. Ela não sabia o quão era forte até a que a única opção dela era ser. Ela é uma pétala, só que de ferro. Delicada, mas forte, muito forte. Não duvide.
Exagero. Essa palavra a define. Ela é 8 ou 80. Quando come, come muito. Quando chora, chora muito. Quando se dedica, se se dedica muito. E quando ama... Ah, meu filho! Ela ama! Ela ama mesmo! Ela não entra no raso, só pra molhar os pés. Ela mergulha, e mergulha de vez. Não se contenta com pouco. Tem-se um, quer ter dois. Tem-se um milhão, quer ter dois milhões, quer três.
Quando deita sua cabeça no travesseiro, parece que vai explodir, de tanta coisa. Quer dizer tanto, quer conversar tanto, quer ver tanto, que acaba deixando. Aquilo que foi dito durante o dia, ela pensa: Será mesmo que aquilo foi verdade?
Preocupa-se. Inventa um milhão de possibilidades para uma situação. "E se...? E se...?" A cabeça parece entrar em colapso. "Onde você está? Vai demorar? Posso te ver?". Não gosta de ser cobrada, mas cobra. Cobra atenção, cobra compromissos, é uma chata. Acha errado que façam algo, mas se ela fizer, é certo, e não aceita que digam que não, mas no fim, ela enxerga. É assim que ela resolve as coisas, é um modo de dizer "Eu te amo" meio por baixo do pano.

É cara, é normal dela.

Não pira, ela é assim mesmo.


quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

É menina!

Nasceu
Parabéns, é uma menina 
Vai dar trabalho, hein 
Enche de rosa, florzinha

Põe brinquinho
Entoca uma boneca
Ah, que lindo o instinto materno.
De aniversário dá uma mini tábua de passar roupa

Um minifogão com várias panelinhas 
Que é pra aprender desde cedo
É do-lar
Do-marido

De outrem
Nunca sua
Cresce
Senta como mocinha! 

Tenha modos 
Menstrua esse sangue sujo 
Vaza
Denuncia

Esconde esse absorvente
Absorva
Não é gente
Tem que estar bonita, arrumada

De peitos de fora na propaganda de cerveja
De mãos decepadas pelo "companheiro"
De sonhos castrados logo na maternidade
Põe mais maquiagem 

Tem que ser mais feminina
Vai sair sem batom?
Esconde essas espinhas 
Arranca esses pelos que saem de você 
São sujos

Imundos
Sua porca!
Gostosa
Meus olhos te devoram

Te constrangem
Te fazem trocar caminhos
Por que anda sozinha na rua? 
Não te ensinaram 

Que é do-lar?
É minha também 
Como uma carne exposta no açougue
Ou uma roupa na vitrine

Te avalio
Acho que tenho direito
Posso te tocar? 
Te comprar?

Te comer?
Vadia
Estuprada
Mas com que roupa tava?

Andando a noite na rua?
Também...
Tava pedindo
Provocou com o decote

A saia devia ser curta demais
Morta pelo ex namorado
Ah, crime passional 
Ciúmes

Em menos de um mês tava com outro
Merecia
Coitado do homem,
Amava tanto a moça

Mortas 
Todos os dias 
Mas renascemos
Nossas raízes são mais profundas

Não vai calar nossa voz, nosso grito
Somos gente!
Existimos!
Resistimos!